Democracia em Angola

Abel Cosme devolve dinheiro ao Estado

O ex-presidente do Conselho de Administração da empresa Transporte Colectivo Urbano de Luanda (TCUL), Abel Cosme, extraditado de Portugal, na semana passada, tem vindo a devolver ao Estado angolano os valores de que se apossou e aguarda, em liberdade, a conclusão da investigação.

Segundo um comunicado da Procuradoria Geral da República (PGR), Abel Cosme foi extraditado de Portugal por suspeitas de ter cometido peculato, quando era director-geral da UNICARGAS-EP.
“Do interrogatório efectuado ao arguido constatou-se que o mesmo vem devolvendo os valores de que se locupletou do Estado, mediante transferências bancárias para a conta do Banco Nacional de Angola”, adianta a PGR. O comunicado não refere quais os valores em causa, nem o montante que já foi devolvido.

A PGR considera já não haver receio de fuga, perigo de continuação da actividade criminosa e o de perturbação da investigação em curso. Por isso, aplicou, como medidas de coação, o Termo de Identidade e Residência, uma caução no valor de dez milhões de kwanzas e interdição de saída do país.

“O processo prossegue a normal tramitação, com vista à conclusão e remessa ao Tribunal competente”, acrescenta o comunicado.

Abel Cosme é um dos implicados no “Caso CNC”, pelo qual foi condenado o ex-ministro dos Transportes, Augusto Tomás, a 14 anos de prisão, pelos crimes de peculato, branqueamento de capitais, associação criminosa e artifícios fraudulentos para desviar fundos do Estado. O plenário do Tribunal Supremo decidiu, em Dezembro de 2019, atender ao pedido do antigo governante e reduzir a pena para oito anos.

A 15 de Outubro de 2018, Abel António Cosme foi constituído arguido pela PGR, num processo relativo ao desvio de fundos do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), organismo tutelado pelo Ministério dos Transportes.

Abel Cosme ausentou-se do país, quando foi anunciada a prisão do antigo ministro dos Transportes, invocando motivos de doença e não voltou, a não ser agora.

Abel Cosme liderou o Conselho de Administração da TCUL desde Novembro de 2017. A sua ausência foi tornada pública em Janeiro de 2019, quando o gabinete dos Recursos Humanos do Ministério dos Transportes solicitou, através de uma publicação no Jornal de Angola, a sua comparência no prazo de oito dias. Facebook Twitter Pinterest Linkedin

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