Democracia em Angola

Defendida exploração sustentável da Floresta do Maiombe

O ambientalista Daniel Tati Luemba, ligado à Secretaria Provincial do Ambiente, Gestão de Resíduos e Serviços Comunitários do Governo de Cabinda, defendeu, naquela cidade, exploração sustentável dos recursos vegetais, de modo a preservar as espécies nativas da Floresta do Maiombe.

Em declarações ao Jornal de Angola, por ocasião do 21 de Março, Dia Internacional da Árvore e Florestas, Daniel Tati Luemba disse que a exploração sustentável das florestas deve basear-se num plano de gestão previamente elaborado, no intuito de preservar as espécies vegetais raras e em vias de extinção, por parte das empresas que intervêm na exploração da madeira.

“No plano de gestão sustentável é imprescindível que as empresas deixem de usar licenças anuais e optem por áreas de concessões a longo prazo, o que permitiria trabalhar mais anos”, referiu.

Lamentou o excesso de desperdícios de madeira valiosa, abatida e abandonada em áreas de corte, devido à incapacidade das empresas em transportá-las para as zonas de transformação. Em cada árvore cortada, de acordo com o ambientalista, há sempre o risco de 40 por cento do seu conteúdo não ser aproveitado.   

“Há desperdícios de até 40% de uma árvore que deveria ser aproveitada por completo. As folhas que serviriam de compostagens para o fabrico de fertilizantes são abandonadas na floresta. Na semi-transformação também há desperdícios porque não se aproveita a serradura. Desde a exploração (corte) até a transformação os desperdícios aumentaram em quase 80%, desde que se proibiu a exportação da madeira em toro”.

Acrescentou que a exploração de madeira na Floresta do Maiombe não inquieta, por enquanto, as autoridades e os ambientalistas, tendo em conta que as cifras de produção estão muito aquém dos níveis de crescimento anual.

Deu a conhecer que 70 por cento da extensão da Floresta do Maiombe foram declarados Parque Nacional Maiombe, resguardando no seu interior várias espécies de madeira e animais. Devido à intensa actividade que se desenvolve na floresta, segundo Daniel Tati Luemba, o objectivo é rever a configuração do parque, de modo a transferi-lo para a Reserva Florestal de Cacongo, numa extensão de 68 mil hectares.

“Entendemos que numa reserva não pode haver intervenções humanas, mas, infelizmente, na floresta ocorrem muitas actividades. Há vários assentamentos humanos, como as vilas de Buco-Zau e Belize. Do nosso ponto vista, uma revisão da configuração do Parque Nacional Maiombe seria algo necessário”.

Garimpo

A Floresta do Maiombe é constantemente invadida por caçadores furtivos e garimpeiros, que exploram ilegalmente valiosas espécies de madeira para a venda e fabrico de carvão, bem como matam indiscriminadamente animais para comercializar.

Segundo a nossa fonte, a maneira como o carvão é produzido não é a mais adequada, já que os autores se introduzem na floresta, cortam espécies de madeira valiosa e comerciável e fabricam o carvão. “Os carvoeiros deveriam aproveitar os desperdícios deixados na floresta pelas empresas, para a feitura do carvão vegetal, mas, infelizmente, não ocorre assim. Há perda significativa de muita madeira abandonada na floresta”.

Disse mais: “quando se pratica o garimpo foge-se do conceito de uma exploração sustentável. Todas as actividades económicas desenvolvidas na floresta devem ser sustentáveis, senão corre-se o risco de haver uma degradação que pode causar a extinção de muitas espécies”.

Enumerou o Pau-Rosa, Longui-vermelho, Undianunu, entre outras, como espécies em vias de extinção, devido à sua exploração selectiva.

Apontou o número reduzido de fiscais como condicionante para conter a acção ilegal de exploração de madeira e a caça furtiva em Cabinda, duas actividades que estão a danificar a biodiversidade da Floresta do Maiombe.

Defendeu um repovoamento florestal nas áreas já exploradas, bem como nas zonas onde é praticada a agricultura itinerante. “Nas florestas a regeneração natural seria o processo mais adequado, porque as condições são favoráveis para o crescimento rápido das espécies”.

A Floresta do Maiombe estende-se entre Angola (Cabinda), Gabão, RDC e Congo Brazzaville, ocupando, no território nacional, uma extensão de 300 mil hectares, 50 mil dos quais constituídos por manchas que se localizam nas áreas de Cacongo, Tando-Zinze e Sul da província de Cabinda.O Maiombe, a segunda maior floresta do mundo, após a Amazónia, é constituído por um ecossistema fechado com capacidade de regeneração anual de 0,4 metros cúbicos de madeira. A sua capacidade de regeneração natural faz com que a floresta esteja sempre verde, mesmo que haja cortes consideráveis na sua cobertura vegetal.

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