Democracia em Angola

O dom de saber vender

Helena Bunga Zunguluca, também conhecida por “HZ”, nasceu em Luanda, no município do Kilamba Kiaxi, no dia 19 de Abril de 1996. É filha de Sebastião Paulo e Teresa Bunga.

Helena Zunguluca vem de uma família materialmente pobre, mas muito rica em sabedoria. O pai, na época, trabalhava e o que ganhava dava para sustentar a família, com o suporte da esposa, vendedora.

Mas, as coisas boas, às vezes, não duram para sempre. Com 15 anos, viu o pai perder o emprego e a situação financeira da família ruir. É aí que Helena Zunguluca começa a tomar consciência de que o dinheiro não tem existência eterna e viver de salário não fornece conforto.

Com a nova situação, a mãe não se deixou vencer. Ela foi muito forte e dava suporte à casa, envolvendo Helena nas vendas. “Comecei a vender pipocas, mas sem sucesso”.  Helena Zunguluca acrescenta às vendas bolinhos, ovos, cremes e perfumes. Mas, ia sempre à falência, pois, não tinha sorte no negócio.

“Ajudava a minha mãe a vender de manhã e à tarde ia para a escola, indiferente ao cansaço”. Assim, termina o ensino médio e, então, pára para reflectir. Não tinha valores para prosseguir os estudos na Universidade.
Desde muito nova, o seu sonho foi ser empresária, ter o seu próprio negócio. Para tal, precisava de dar o primeiro passo. Descobri que o segredo é saber vender e precisava de entender e saber fazer marketing. E, foi com o irmão Adão Paulo que começa a aprender a arte de vender.

Helena Bunga Zunguluca matricula-se num curso técnico de Marketing, que termina com sucesso, e começa a trabalhar nesta área, até hoje.
“Mas, eu vivia no meio de muitas dificuldades, tive alturas em que não tinha forma de pagar os meus estudos, muitos dias passava sem jantar porque a mãe não tinha dinheiro”, explica para avançar que tudo isso serviu de força para continuar a lutar.

Hoje, a jovem é técnica e formadora de Marketing, empreendedora e tem um restaurante online, o “Kuyuyu”.
Helena Bunga Zunguluca sente-se feliz, por já ter formado  mais de cem pessoas na área do Marketing. “E continuo a formar, em especial, jovens, porque o meu objectivo é ajudar gente com histórias semelhantes à minha a vencer na vida, porque somos capazes”.

A jovem já interveio em programas de televisões, nos quais abordou a sua visão de vida. “Quando era muito jovem não podia imaginar que, um dia, fosse realizar o meu sonho principal. Parecia-me uma utopia, mas eu persisti”.
Com a ajuda da família, apesar de ter chorado em silêncio, diz nunca passou a vida a lamentar nem desistiu, até porque tinha o incentivo incansável da mãe. “Ela dizia para lutar, a viver cada dia e a confiar no dia seguinte”.

E, Helena Zunguluca sentia-se emocionada por ensinar outros jovens e por aparecer na TV. “Eu, uma menina modesta do Kilamba Kiaxi, tenho muitas outras pessoas da minha faixa etária que me consideram um exemplo e daí vem a minha alegria. Parece uma luta isolada, mas não é, porque são cada vez mais as pessoas que querem vencer na vida”.

A jovem aconselha as pessoas a seguirem os seus sonhos, mesmo que eles não estejam longe de serem realizados, uma vez que é necessário que se foque nos objectivos. “A vida muda e, então, precisamos de ser pacientes e acreditar em nós mesmos”.

A empresária e formadora de marketing, aos 25 anos, afirma que o facto de não ter conseguido prosseguir os estudos universitários não se sente triste nem derrotada. “Decidi, por vontade própria. E, na sequência de inúmeros pedidos, vou escrever um livro de vendas e marketing, que já vai avançado, o que significa que, brevemente, haverá também uma Helena Zunguluca escritora”, anuncia.

“Para ser o que sou hoje, tive de passar por muitas dificuldades, principalmente para conseguir ser técnica de marketing, uma vez que esse curso era caro, pela sua grande qualidade”, recorda a jovem.
Em função dessa carência financeira, Helena Zunguluca precisou vender e vender muito. “Eu não tenho vergonha, quando é para fazer negócio, vender no mercado. Isso não muda quem eu sou”.

Helena Zunguluca fez alguns cursos via online. A maior dificuldade era ter acesso à Internet. Em Angola ainda é um problema sério. “Houve momentos em que tive de abandonar a formação porque a Net não funcionava”. Mas, com paciência e determinação, ela conseguiu.

A terminar, Helena Zunguluca cita Carita Celedonio,
Zacarias Samba e Yuri Kiala como pessoas que a têm ajudado sem qualquer interesse pessoal. “Sou uma pessoa que não tem medo de desafios, tanto pessoais como profissionais”.

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